
Quem não foi a uma boate?
Freqüentei várias, na juventude.
Gostava pois lá deixava todos os males do corpo e da alma.
Nesse momento esquecia que tinha dor.
Saia com meu grupo exclusivamente para DANÇAR.
Minha turma ia a PESCARIA, por assim dizer.
Não me importava.
Todos bebiam e fumavam.
Eu não ingeria álcool, só fumava.
Não por prazer.
Começou com meus colegas da faculdade.
É normal quando você tem mais da metade de uma sala que fuma.
Você fuma através deles.
No dia seguinte meu aspecto era deplorável.
É de ressaca mesmo!
Recordo uma vez, estava fumando no meu emprego.
Tranqüila, fazendo pose com o cigarro na mão.
Nessa época era estagiária na Caixa Econômica Federal.
E sem perceber meu pai apareceu no emprego.

Fazer uma visita, segundo ele.
Vocês não imaginam a sensação que senti quando o vi.
Primeira coisa que fiz foi abrir uma gaveta qualquer da minha mesa, e enfiar o cigarro dentro.
Quase queimo documentos.
Depois desse episódio mentalmente doloroso o cigarro ficou somente para a faculdade.
Eu tinha 24 anos e brincava de fumar as escondidas.
Esse fato me veio a mente por causa do sábado passado.
Fui a uma discoteca.
Minha filha de 17 anos me pediu para levá-la.
Convidei uma amiga para nós acompanhar.
O local era conhecido por mim, pois há dois anos atrás havia ido assistir a um concerto.
Sou a favor do dito : "A primeira impressão é que vale " .
Essa frase deveria ser

sempre respeitada por todos.
Um local que para alguns eventos se mostra harmonioso para outros se transformar numa ameaça humana.
A primeira vista me impressionou.
Um aglomerado de gente.
Mais da metade do sexo masculino.
Todos entre 16 a 35 anos.
Pela idade podemos imaginar muito.
Todos dispostos a ganharem.
Com certeza!
E a música!!
Essa estava de acordo com o tipo de ambiente.
A juventude gosta de barulho para pular.
Por duas vezes vi cadeiras voadoras em cima de namoradas foguetas.
Os olhares, as conversas e os corpos se movendo.
O barulho ressonando na minha cabeça.

Me senti deslocada.
As vezes me vem na memória os anos 70 e 80.
As músicas e os ambientes eram outros.
Não pensei na possível mudança ao sair de casa.
Nessa noite deplorei o ser humano.
Fiquei exposta a perigos.
Senti que agredi meu espírito.
Decidi não ir mais em discotecas sem a companhia de um homem.
Uma vez para qualquer coisa é o suficiente.
Minha filha planeja novamente!!!!
urububranco.